A ruptura do ligamento cruzado anterior de Rodrygo não tirou apenas um jogador da Copa do Mundo de 2026. Tirou uma peça que funcionava em pelo menos três posições diferentes no esquema de Carlo Ancelotti. Agora, a 68 dias do início do Mundial, o técnico italiano precisa reorganizar o setor mais importante da Seleção Brasileira.
O que o Brasil perde
Rodrygo era o único atacante do elenco capaz de jogar pela direita, centralizado como segundo atacante ou até como meia ofensivo com a mesma eficiência. Na temporada 2025-26 pelo Real Madrid, o jogador de 25 anos somava 14 gols e 9 assistências antes da lesão sofrida contra o Getafe.
Essa polivalência dava a Ancelotti flexibilidade tática para mudar de formação durante os jogos sem precisar de substituições. Sem ele, o Brasil perde mobilidade e imprevisibilidade no ataque.
As opções disponíveis
Com Rodrygo fora, pelo menos três jogadores ganham força na disputa pelas vagas restantes na lista de 26 convocados:
Endrick — O atacante do Lyon vive a melhor fase da carreira, com 5 gols nos últimos 5 jogos pela Ligue 1. Aos 19 anos, tem presença de área e finalização, mas é um centroavante nato — não repõe a versatilidade de Rodrygo.
Gabriel Martinelli — O ponta do Arsenal oferece velocidade e profundidade pelo lado esquerdo, onde Vinícius Jr. já atua. Pode jogar pela direita, mas não é sua posição natural. Tem 11 gols na temporada pela Premier League.
Savinho — Revelação do Manchester City, o jovem de 21 anos é quem mais se aproxima do perfil de Rodrygo em termos de jogo associativo e capacidade de atuar em diferentes faixas do ataque. Já está entre os 24 nomes considerados certos.
O que muda taticamente
Ancelotti utilizou predominantemente o 4-2-3-1 nos amistosos da Seleção, com Rodrygo ocupando a ponta direita ou a função de segundo atacante atrás de um centroavante. Sem ele, duas alternativas se desenham:
Opção 1 — Savinho pela direita: Mantém o 4-2-3-1 com Savinho na ponta direita, Vinícius Jr. pela esquerda e Raphinha centralizado. É a mudança mais natural, mas perde poder de finalização.
Opção 2 — Endrick como centroavante: Ancelotti pode escalar Endrick como referência, deslocar Raphinha para a direita e manter Vinícius Jr. pela esquerda. Ganha em presença de área, mas abre mão de mobilidade.
Impacto na convocação
A lesão de Rodrygo praticamente resolve uma das duas vagas que estavam em aberto na lista de 26. Com um atacante a menos, Ancelotti deve convocar tanto Endrick quanto outro jogador ofensivo — possivelmente Lucas Paquetá, que agrega experiência e versatilidade no meio-campo.
A convocação oficial está marcada para 18 de maio. Até lá, os desempenhos nos clubes europeus definirão quem embarca para os Estados Unidos.
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