Quando Carlo Ancelotti entregou a camisa 10 da seleção brasileira a Vinicius Jr, a mensagem era clara: o futuro do ataque canarinho passa por ele. Mas a responsabilidade de herdar o número mais simbólico do futebol brasileiro veio acompanhada de uma cobrança que o atacante do Real Madrid ainda não conseguiu responder em campo.
O teste contra a França
No amistoso contra a França, em 26 de março, Vinicius Jr foi escalado como camisa 10 e terminou o jogo com a braçadeira de capitão, após a saída de Casemiro. O Brasil perdeu por 2 a 1 e a atuação de Vini foi considerada apagada.
Erros de decisão na frente, dribles perdidos e pouca participação no jogo ofensivo marcaram uma noite frustrante. Para um jogador que domina defesas na Liga dos Campeões, o rendimento na seleção segue sendo um contraste incômodo: são apenas 8 gols em 46 jogos pelo Brasil.
O debate sobre a camisa
A escolha de Ancelotti reacendeu uma discussão antiga. Ex-jogadores questionaram publicamente se Vini tem o perfil para a 10. O argumento é que ele é um ponta veloz e driblador, não um meia criativo — e que a camisa tradicionalmente pertence a jogadores com outra característica.
Fábio Luciano, ex-zagueiro e comentarista, foi direto: disse que Vinicius Jr não pode usar a 10 porque não é um camisa 10 de estilo. A opinião ecoou entre torcedores e analistas, que apontam que a numeração carrega uma expectativa de protagonismo que vai além do talento individual.
Ancelotti banca a aposta
Apesar das críticas, a comissão técnica segue firme na decisão. Ancelotti conhece Vinicius Jr como poucos — trabalhou com ele no Real Madrid antes de assumir a seleção — e acredita que o processo de amadurecimento como líder precisa de tempo e confiança.
No jogo seguinte, contra a Croácia em 31 de março, Vini foi mantido como titular e mostrou melhora, participando do gol da vitória brasileira. A oscilação, porém, evidencia que a adaptação ao papel de referência da seleção ainda é um trabalho em andamento.
O que esperar na Copa
Vinicius Jr disputará sua segunda Copa do Mundo, mas em uma posição completamente diferente da que ocupou no Catar, em 2022. Naquela edição, era coadjuvante atrás de Neymar. Agora é o protagonista absoluto, com a 10 nas costas e a pressão do hexacampeonato nos ombros.
O desempenho nos últimos amistosos antes do Mundial — incluindo a despedida no Maracanã contra o Panamá, em 31 de maio — será determinante para medir se Vini chega à Copa como líder consolidado ou como aposta de risco.
A camisa 10 do Brasil nunca foi apenas um número. É um compromisso. E Vinicius Jr tem pouco mais de dois meses para provar que está à altura dele.