Após semanas de incerteza geopolítica, Irã confirma intenção de disputar a Copa do Mundo de 2026 nos EUA. Reunião com presidente da FIFA foi determinante.
A seleção do Irã confirmou que pretende disputar a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos após uma reunião presencial decisiva entre dirigentes iranianos e o presidente da FIFA, Gianni Infantino, realizada no último dia 2 de abril. O encontro — o primeiro face a face desde os ataques aéreos de EUA e Israel ao território iraniano em 28 de fevereiro, que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei — produziu o que fontes próximas às negociações descrevem como “progresso genuíno na diplomacia do futebol”.
Do boicote total à mesa de negociação
A crise teve início em 11 de março, quando o ministro dos Esportes iraniano, Ahmad Donyamali, declarou que o Irã “não poderia participar sob nenhuma circunstância” de um Mundial sediado pelo país responsável pelos bombardeios. A Federação Iraniana de Futebol, liderada por Mehdi Taj, adotou posição mais pragmática: “Vamos boicotar os Estados Unidos, mas não a Copa do Mundo”, afirmou o dirigente, que passou a negociar com a FIFA a transferência dos três jogos do Grupo G para o México.
Os compromissos em questão são contra Nova Zelândia (15 de junho, SoFi Stadium), Bélgica (21 de junho, SoFi Stadium) e Egito (26 de junho, Seattle). A presidente mexicana Claudia Sheinbaum chegou a sinalizar apoio à realocação, mas Infantino foi categórico ao rejeitar a ideia: “Não existe plano B, C ou D. Existe apenas plano A.”
Infantino oferece garantias e campo de treinamento no Arizona
Na reunião de abril, o tom mudou significativamente. Infantino prometeu apoio logístico completo à delegação iraniana, incluindo um campo de treinamento exclusivo em Tucson, no Arizona, e garantiu “as melhores condições possíveis” para a permanência do grupo nos Estados Unidos. Com as garantias sobre a mesa, a discussão sobre transferir jogos para o México foi oficialmente abandonada.
O calendário, porém, é apertado. A delegação iraniana precisa chegar ao centro de treinamento em Tucson até 10 de junho, apenas cinco dias antes da estreia contra a Nova Zelândia. O presidente americano Donald Trump, por sua vez, afirmou que o evento será “o maior e mais seguro evento esportivo da história americana”.
Protestos silenciosos e exclusão de Azmoun acendem alerta
Apesar do avanço diplomático, a tensão segue palpável dentro e fora de campo. Durante os amistosos preparatórios contra Nigéria e Costa Rica na Turquia — realizados com portões fechados —, jogadores iranianos protagonizaram protestos silenciosos durante a execução do hino nacional, exibindo mochilas de crianças e fotografias de vítimas dos ataques de fevereiro.
Outro ponto de atrito é a exclusão do atacante-estrela Sardar Azmoun da convocação. Segundo relatos, a ausência do jogador estaria ligada a interferência direta de autoridades estatais iranianas, motivada por publicações do atleta em redes sociais. O caso reacende o debate sobre a autonomia das federações esportivas em relação a governos — um dos princípios fundamentais do estatuto da FIFA.
Próximos passos: Congresso em Vancouver será determinante
A FIFA pretende adiar qualquer decisão definitiva sobre a participação iraniana até o Congresso da entidade em Vancouver, marcado para 30 de abril. A organização monitora a evolução do conflito geopolítico dia a dia e já sinalizou que uma desistência unilateral acarretaria multa mínima de 250 mil francos suíços à federação desistente.
Com 48 seleções classificadas para o maior Mundial da história, o caso iraniano se tornou a principal novela política da Copa de 2026 — e seu desfecho pode redefinir os limites entre geopolítica e futebol nas próximas décadas.
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