LFP remarca Lens x PSG de 11 de abril para 13 de maio, dando 6 dias de descanso ao clube parisiense antes da volta das quartas contra o Liverpool.
A Liga de Futebol Profissional da França (LFP) aprovou por unanimidade o adiamento da partida entre Lens e PSG, originalmente prevista para 11 de abril, remarcando-a para 13 de maio. A decisão garante ao clube parisiense uma semana inteira de descanso entre os dois confrontos das quartas de final da Champions League contra o Liverpool — enquanto os ingleses terão apenas 72 horas entre seu compromisso pela Premier League e o jogo decisivo em Anfield.
Disparidade de calendário favorece o PSG
Os números expõem a assimetria. O PSG terá seis dias completos de preparação entre a ida em Paris, no dia 8 de abril, e a volta em Liverpool, no dia 14. Já o time de Arne Slot enfrenta uma maratona brutal no mesmo período: Manchester City fora de casa pela FA Cup no dia 4, viagem a Paris para a ida da Champions no dia 8, Fulham pela Premier League no dia 11 e, apenas três dias depois, o jogo de volta contra o PSG em Anfield. A disparidade levanta sérias questões sobre a integridade competitiva do futebol europeu.
Lens, o grande prejudicado
O adiamento não afeta apenas o Liverpool. O Lens, vice-líder da Ligue 1 com apenas um ponto atrás do PSG na tabela, será diretamente prejudicado pela mudança no calendário. O clube ficará 15 dias sem disputar partidas competitivas e, na sequência, terá que encarar três jogos em apenas oito dias, entre 17 e 24 de abril — uma sobrecarga física que pode comprometer sua campanha na reta final do campeonato francês.
O diretor do Lens, Benjamin Parrot, não poupou críticas. “A Ligue 1 está se tornando a variável de ajuste para o calendário da Champions League”, disparou. Parrot ainda questionou as reais motivações por trás da decisão: “Esse mesmo debate aconteceria se o PSG tivesse 15 pontos de vantagem? Talvez eles simplesmente fizessem rodízio do elenco.” Já o presidente do clube, Joseph Oughourlian, admitiu que tinha “poucas ilusões” sobre o resultado da votação antes mesmo de ela acontecer.
PSG invoca o “bem do futebol francês”
Do lado parisiense, o conselheiro Luis Campos defendeu o adiamento como uma medida que vai além dos interesses do clube. Segundo Campos, a decisão traz “vantagens não apenas para o PSG, mas também para o futebol francês”, citando a necessidade de manter a quinta posição no ranking de coeficientes da UEFA — posição que garante à França quatro vagas diretas na Champions League nas próximas temporadas.
O argumento, porém, não convence os críticos. A decisão unânime do conselho da LFP reforça a percepção de que as estruturas do futebol francês operam em função do PSG, colocando os interesses esportivos de clubes como o Lens — rival direto na disputa pelo título — em segundo plano. Enquanto Paris se prepara com conforto para enfrentar o Liverpool, o debate sobre os limites da influência de um clube sobre sua própria liga ganha um novo capítulo.
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