Temporada 2025-26 registra número recorde de rupturas de ligamento cruzado entre jogadores de nível mundial. Calendário inflado é apontado como principal causa.
A menos de 66 dias do início da Copa do Mundo, o número de jogadores de alto nível perdidos por lesões graves já supera qualquer janela pré-Mundial das últimas duas décadas. A temporada 2025-26 registra mais rupturas de ligamento cruzado anterior (LCA) entre atletas de nível Copa do que qualquer ciclo comparável desde 2006.
Os números preocupam
A lista de baixas confirmadas não para de crescer. Apenas entre jogadores que estariam entre os 26 convocados de suas seleções, pelo menos sete sofreram lesões de fim de temporada desde janeiro:
- Rodrygo (Brasil) — LCA rompido em março, no Real Madrid
- Jerdy Schouten (Holanda) — LCA rompido em abril, no PSV
- Marcel Ruiz (México) — LCA e menisco, fora da Copa
- Luis Ángel Malagón (México) — ruptura do tendão de Aquiles
- Takumi Minamino (Japão) — LCA rompido, muito provavelmente fora
- Levi Colwill (Inglaterra) — LCA, fora da temporada
- James Maddison (Inglaterra) — LCA, fora da temporada
Outros nomes seguem em dúvida: Bellingham (Inglaterra) corre contra o tempo, Phil Foden (Inglaterra) sofreu lesão muscular grave no amistoso contra o Uruguai, e a Espanha tem Nico Williams, Merino e Fabián Ruiz no departamento médico.
O calendário é o vilão
Especialistas apontam um culpado principal: o calendário inflado do futebol europeu. A expansão da Champions League para 36 clubes na fase de liga, o novo Mundial de Clubes da FIFA disputado em junho-julho de 2025, e as ligas nacionais cada vez mais longas criaram uma carga sem precedentes.
Jogadores de elite como Vinícius Jr., Mbappé e Bellingham disputaram mais de 65 partidas oficiais na temporada 2024-25, sem período de descanso adequado antes do início do ciclo 2025-26. O corpo cobra o preço.
Quem chega bem
Nem tudo são más notícias. Argentina, França e Espanha — apesar das preocupações pontuais — chegam com elencos relativamente saudáveis e profundos. Mbappé confirmou que seu joelho está recuperado. Vinícius Jr. está em plenas condições e já voltou aos treinos com o grupo.
O Brasil, mesmo sem Rodrygo, tem opções no ataque com Estêvão, Endrick e Luiz Henrique. A regra da FIFA que permite substituições até 24 horas antes do primeiro jogo pode ser decisiva para seleções que perderem jogadores nas últimas semanas de preparação.
Pressão sobre a FIFA
A França já lidera um movimento de seleções europeias que cobram da FIFA uma redução no calendário internacional. A entidade, por sua vez, defende que o formato expandido do Mundial — 104 jogos em 39 dias — foi planejado com intervalos adequados de recuperação entre as partidas. O debate deve se intensificar após o torneio.
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