Auxiliar da Itália na final de 1994 contra o Brasil, Carlo Ancelotti assume o comando da Seleção na Copa 2026 com ataque poderoso e dúvidas na defesa.
Carlo Ancelotti vai sentar no banco da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 carregando um detalhe que poucos lembram: ele já esteve numa final de Copa do Mundo diante do Brasil, e saiu de lá como vice-campeão.
Era 17 de julho de 1994, Pasadena, Califórnia. A Azzurra tinha Roberto Baggio como protagonista e Ancelotti como auxiliar técnico de Arrigo Sacchi. O Brasil venceu nos pênaltis, conquistou o tetracampeonato, e a Itália voltou para casa com a prata. Quase 32 anos depois, o técnico de 66 anos troca de lado.
A ironia é daquelas que o futebol produz com maestria: o homem que perdeu uma final para a Canarinho agora tenta levá-la ao hexa.
A campanha italiana em 1994
Conforme o Metrópoles, a campanha italiana naquele torneio contou com três vitórias, dois empates e uma derrota logo na estreia, contra a Irlanda. Baggio carregou a equipe nas costas: cinco gols e uma assistência. Na final, o placar ficou em 0 a 0 até os pênaltis, onde o Brasil não tropeçou.
Como jogador, Ancelotti havia disputado a Copa de 1990 como volante, com o ligamento cruzado anterior rompido, e participou de apenas três partidas. A Itália terminou em terceiro naquela edição. Segundo O Globo, sua figurinha esteve nos álbuns Panini de 1986 e 1990.
A transição para o banco de reservas começou em 1995, no Reggiana. Em três décadas, acumulou cinco títulos de Liga dos Campeões, recorde absoluto entre treinadores, com passagens por Milan, Real Madrid, Chelsea, Bayern de Munique e PSG. Títulos nas cinco principais ligas da Europa completam um currículo que poucos nomes da história conseguiram montar.
A missão de chegar ao hexa
O Brasil chega à Copa do Mundo de 2026 tentando superar o trauma das quartas de final em 2018 e em 2022. A contratação de Ancelotti foi uma aposta da CBF na credibilidade de alguém acima de qualquer questionamento técnico.
No ataque, o argumento é forte. Vinícius Júnior, Raphinha, Endrick e Neymar, de volta após longo período de lesões, formam uma geração considerada entre as mais talentosas em décadas. No meio, Casemiro e Bruno Guimarães funcionam como âncora. A defesa, com Marquinhos como referência, ainda gera desconfiança nas laterais, segundo o Portal do Gremista.
Uma das curiosidades da lista divulgada na última segunda-feira (18) é que nenhum dos nove atacantes convocados usou a camisa 9 nos dez jogos sob Ancelotti. Conforme o Bolavip, Richarlison e João Pedro, os únicos a vestirem o número durante o trabalho do treinador, ficaram de fora. Endrick, Igor Thiago e até Raphinha aparecem como candidatos a assumir o número eternizado por Ronaldo Fenômeno.
Peso histórico, nova perspectiva
Ancelotti chega ao torneio sem experiência como técnico de seleção num Mundial. É uma exposição diferente da rotina dos clubes: menos tempo de treinamento, mais pressão política, e o peso de um país que não levanta a taça desde 2002. Seu currículo é inegável, mas o desafio do Brasil na Copa do Mundo 2026 exige uma adaptação que ele ainda não testou neste nível.
Há algo singular na perspectiva de quem perdeu para o Brasil numa final de Copa. Em 1994, sentado atrás de Sacchi, Ancelotti viu de perto o que a Seleção é capaz de fazer quando está no seu melhor. Agora, sua tarefa é recriar aquelas condições do outro lado do campo. O torneio começa em 11 de junho, e antes disso o Brasil enfrenta o Panamá no dia 31 de maio, no Maracanã.
A convocação está fechada, a camisa 9 segue sem dono definido e o calendário não espera. Ancelotti, que em julho de 1994 ficou sentado no banco errado, terá na Copa do Mundo de 2026 uma chance que poucos treinadores da história tiveram: transformar uma derrota histórica em ponto de partida.
Perguntas frequentes
Quando foi a final da Copa de 1994 entre Brasil e Itália?
A final foi em 17 de julho de 1994, em Pasadena, Califórnia. O Brasil venceu nos pênaltis após 0 a 0, conquistando o tetracampeonato.
Ancelotti já treinou seleções antes da Copa 2026?
Não. Toda a trajetória vitoriosa do técnico foi construída em clubes. A Copa do Mundo de 2026 marca sua primeira experiência como técnico principal de uma seleção nacional num torneio desta magnitude.
Quem vai usar a camisa 9 no Brasil na Copa 2026?
A numeração segue indefinida. Endrick, Igor Thiago e Raphinha aparecem como candidatos, já que Richarlison e João Pedro, os últimos a vestirem o número sob Ancelotti, não foram convocados.
Quando começa a Copa do Mundo de 2026?
O torneio tem início em 11 de junho de 2026, com sede nos Estados Unidos, México e Canadá. O Brasil joga um amistoso preparatório contra o Panamá no dia 31 de maio, no Maracanã.