Brasil chega à Copa 2026 com a pior campanha classificatória da história, apostando em Ancelotti para conquistar o Hexa pela primeira vez desde 2002.
Carlo Ancelotti assume a Seleção Brasileira carregando um fardo que nenhum de seus antecessores enfrentou com tanta nitidez: o pior desempenho do Brasil na história das Eliminatórias para a Copa do Mundo. Quatro treinadores em um único ciclo. Uma derrota por 4 a 1 para a Argentina sem Messi em campo. E agora, a pressão por um título que o país não conquista desde 2002.
A Copa do Mundo 2026 acontece em junho e julho na América do Norte, com sede dividida entre Estados Unidos, México e Canadá. O torneio chega a 48 seleções pela primeira vez. Mas espaço não é garantia de passagem. O Diário de Pernambuco resume bem o estado de ânimo: desacreditado é como o Brasil chega ao torneio.
Há um ano no cargo, Ancelotti encontrou uma equipe em frangalhos. Antes dele, Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior tentaram encaixar peças que, na teoria, seriam suficientes para qualquer título. Na prática, faltou coesão. O ponto mais baixo do ciclo foi a goleada de 4 a 1 no Monumental de Núñez, com a Argentina jogando sem sua principal estrela.
A melhora com o treinador italiano existe, mas permanece sutil. O Brasil parece mais organizado, menos exposto às atuações caóticas do período anterior. Não é inspiração. É estabilidade, e talvez seja o passo necessário antes que o torcedor volte a acreditar.
O problema do gol
Alisson Becker é o titular incontestável. O problema real é que o goleiro do Liverpool ficou fora de ação desde março por lesão muscular, retornando apenas na última rodada da Premier League. Entrar numa Copa do Mundo sem ritmo de jogo é um risco concreto, não um detalhe de escalação.
Os reservas não tranquilizam. Ederson e Weverton chegam ao torneio abaixo do nível esperado para quem pode precisar do posto mais importante do campo. Bento, que esteve em todas as convocações de Ancelotti, foi cortado da lista final depois de falhas num amistoso contra a Croácia e também pelo Al-Nassr na liga saudita. A decisão revelou tanto o rigor do técnico quanto a fragilidade da posição.
Nas laterais, a situação é ainda mais delicada. A Seleção já teve gerações que definiram o cargo como referência mundial, com nomes como Cafu, Roberto Carlos, Carlos Alberto Torres e Djalma Santos. A geração atual não tem equivalentes. É o ponto de interrogação mais visível de um elenco que, no ataque, ainda pode contar com figuras de peso.
O que muda com 48 seleções
A Copa do Mundo 2026 grupos traz combinações inéditas. Ao ampliar o torneio pela primeira vez para 48 participantes, a Fifa criou também a edição com mais países africanos da história. O O Globo aponta que o recorde anterior pertencia à Copa de 2010, com seis representantes do continente. Desta vez, são dez, com talentos como Mohamed Salah, do Egito, e Antoine Semenyo, recém-comprado pelo Manchester City por mais de R$ 450 milhões para defender Gana.
Até histórias improváveis marcam presença. O R7 Esportes mostra que o Haiti levará o goleiro Josué Duverger, que defende o Cosmos Koblenz, da quinta divisão alemã. A Nova Zelândia conta com Tommy Smith, zagueiro do Braintree Town, quinto escalão inglês. O torneio é o maior da história, e isso se traduz em contrastes assim: Real Madrid de um lado, semiprofissionais de outro.
No campo dos anfitriões, o Canadá chegará com uma baixa sensível. O meia-atacante Marcelo Flores sofreu ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho direito durante a final da Copa dos Campeões da Concacaf. Segundo o O Povo, Flores, de 22 anos, havia sido convocado um dia antes do incidente e será submetido a cirurgia nos próximos dias.
A conta que não fecha
Vinte e quatro anos sem título. O Brasil não foi campeão desde 2002, quando Ronaldo e companhia venceram a Alemanha em Yokohama. Desde então, quatro eliminações em fases decisivas, um 7 a 1 histórico em casa e agora o pior ciclo classificatório de toda a história da Amarelinha.
Ancelotti tem o nome, a experiência e o prestígio. Tem um elenco com peças individuais de alto nível. O que ainda falta, e precisará surgir nos jogos do Brasil na Copa do Mundo 2026, é a convicção coletiva de que esta geração pode fazer o que as anteriores não conseguiram.
A estreia diante dos rivais de grupo dirá mais do que qualquer amistoso. Se Alisson estiver em forma e as laterais não travarem o jogo, o caminho para o hexa existe. Se não, o descrédito que acompanhou a seleção nas eliminatórias terá atravessado o Atlântico junto.
Perguntas frequentes
Quando começa a Copa do Mundo 2026?
A Copa do Mundo 2026 tem início em junho de 2026, com jogos disputados nos Estados Unidos, México e Canadá.
Qual é a situação do Brasil na Copa do Mundo 2026?
O Brasil de Ancelotti chega ao torneio após a pior campanha da história nas Eliminatórias, mas mostra sinais de estabilidade com o treinador italiano.
Alisson vai jogar a Copa do Mundo 2026 pelo Brasil?
Alisson Becker é o titular da Seleção, mas retorna de lesão muscular que o afastou desde março. A condição física do goleiro é a principal incerteza no gol brasileiro.
Quantas seleções participam da Copa do Mundo 2026?
A edição de 2026 terá 48 seleções, a maior da história, e inclui o recorde de dez representantes africanos.