O GET da FIFA identificou laterais invertidos, pressão alta e o fim do camisa 10 clássico como principais tendências da Copa 2026, que começa em 11 de junho.
A Copa do Mundo de 2026 começa em seis dias e a FIFA já tem suas apostas táticas na mesa. O Grupo de Estudo Técnico da entidade, responsável por mapear tendências do futebol de alto nível a cada edição do torneio, identificou os laterais invertidos como uma das marcas que devem definir o estilo do Mundial na América do Norte. O Estadão detalhou essa análise nesta quinta-feira, com base em declarações de Tom Gardner, chefe de perspectivas de desempenho da entidade.
Gardner falou com jornalistas em uma reunião virtual na segunda-feira e foi direto: inovações táticas são esperadas, mesmo que o futebol de seleções tenda a absorver novidades com mais lentidão do que os grandes clubes europeus.
O torneio vai de 11 de junho a 19 de julho, com jogos espalhados pelos Estados Unidos, México e Canadá.
A análise tática
Os laterais com perfil invertido são apenas parte do diagnóstico. O GET da FIFA listou outras tendências para a copa do mundo 2026: marcação individual na defesa como forma de recuperar a posse rapidamente, pressão alta, futebol direto e vertical com passes longos e transições em velocidade. Em sedes com altas temperaturas, como várias das cidades americanas no torneio, recuperar a bola rápido também é uma questão física, não só estratégica.
Outro movimento mapeado pelos especialistas é a redução do papel do camisa 10 clássico. A função de armar as jogadas a partir de uma posição específica, antes concentrada em um único jogador, agora está distribuída entre os volantes mais completos dos grandes times. A criatividade ficou coletiva.
Cruzamentos também aparecem na lista como ferramenta ofensiva pensada, não improvisada, com atacantes posicionados para finalizar dentro da área. O GET aponta que esses padrões foram consolidados principalmente na Premier League inglesa nos últimos anos e que a Copa tende a replicá-los em escala global.
Esta é a primeira copa do mundo 2026 com 48 seleções na história, o que muda o desenho do torneio e cria confrontos inéditos entre blocos táticos distintos. Mais jogos significam mais variáveis — e mais oportunidades para que ideias inesperadas apareçam.
O que a história ensina
Copas do Mundo raramente funcionam como laboratórios de vanguarda tática. Os clubes europeus de ponta têm mais tempo de trabalho, elencos tecnicamente homogêneos e estrutura para testar novas ideias com frequência. Quando a FIFA aponta uma tendência, geralmente está descrevendo o que os melhores times do mundo já praticam há dois ou três anos.
Isso não tira a relevância do debate. O torneio já produziu transformações que moldaram décadas do futebol. O Brasil levou ao México-1970 cinco jogadores com perfil criativo ao mesmo tempo, algo sem precedentes até então. Na Itália-1990, o goleiro colombiano René Higuita reinventou o papel do camisa 1, atuando como um jogador de linha enquanto sua equipe tinha a bola. A Copa tem esse poder de amplificar o excepcional — e o Estadão recupera exatamente essa memória ao contextualizar as inovações de cada edição.
Do campo às telas e às prateleiras
Fora dos gramados, o torneio já movimenta outros setores. O TechTudo reportou que o simulador EA Sports FC 26 previu a Espanha como campeã, com um retrospecto de algoritmo que acertou os quatro vencedores anteriores. Não por acaso, a Espanha é uma das seleções que mais incorpora as tendências que o GET da FIFA mapeou: posse organizada, laterais criativos, volantes inteligentes.
No varejo, o impacto também se antecipa. Segundo o Infonet, o setor supermercadista brasileiro aguarda uma injeção de R$ 4,32 bilhões no comércio durante o torneio, conforme projeção da Confederação Nacional do Comércio. A copa do mundo 2026 brasil já tem dimensão econômica antes da primeira bola rolada.
O que Dorival Júnior vai escolher — seguir as tendências que a FIFA projeta ou apostar em um modelo próprio — é a pergunta mais imediata para os jogos do brasil na Copa. As primeiras partidas vão dar a resposta.
Perguntas frequentes
Quando começa a Copa do Mundo 2026? O torneio tem início em 11 de junho de 2026, com a final programada para 19 de julho.
O que é um lateral invertido no futebol? É o jogador que atua na lateral mas se desloca para o centro do campo durante as jogadas ofensivas, participando da criação e ampliando as opções de passe da equipe com a bola.
Quantas seleções participam da Copa 2026? Pela primeira vez na história, 48 seleções disputam o torneio — um aumento em relação ao formato anterior de 32 equipes.
Quem são os favoritos à Copa do Mundo 2026? Não há consenso. Argentina, atual campeã, França, Espanha e Brasil figuram entre as principais candidatas, mas o torneio ainda não começou e o cenário pode mudar conforme os grupos se definem.