Carlo Ancelotti tem 24 vagas preenchidas e apenas duas em aberto para a Copa 2026. Paquetá, Endrick e Igor Thiago brigam pelo mesmo espaço — e um ficará em casa.
Duas vagas, três nomes, zero margem para erro
Faltam 44 dias para Ancelotti revelar a lista definitiva do Brasil para a Copa do Mundo 2026, e o treinador italiano já tem 24 nomes praticamente cravados. Só restam duas vagas. Três jogadores disputam o mesmo espaço: Lucas Paquetá, Endrick e Igor Thiago. A convocação oficial sai em 18 de maio, na sede da CBF no Rio de Janeiro — e a decisão promete dividir o Brasil.
O fato é que Ancelotti colocou 58 jogadores à prova desde que assumiu o cargo, segundo levantamento da ESPN Brasil. Essa amplitude de observação tem um custo: agora, na reta final, alguém que merecia estar vai ficar de fora. Não há outra forma de interpretar.
O caso Paquetá: experiência que pode não ser suficiente
Paquetá é o nome mais delicado da equação. O meia do Flamengo acumula 3 convocações, 6 aparições, 1 gol e 1 assistência na era Ancelotti — números modestos para quem já foi considerado o melhor jogador do Brasil. A ESPN Brasil o classificou como ‘corre por fora’, e sua ausência nos amistosos de março contra França e Croácia não foi acidental. Quando você não é convocado para dois jogos seguidos sem lesão, a mensagem da comissão técnica é clara.
O problema de Paquetá não é técnico — é de encaixe. Ancelotti montou um meio-campo que funciona sem ele, e trazer o meia seria mexer numa engrenagem que parece azeitada. No fim das contas, lealdade a nomes do passado raramente vence pragmatismo em véspera de Copa.
Endrick e Igor Thiago: a Data Fifa de março mudou o jogo
A vitória sobre a Croácia, nos amistosos de março, entregou dois fatos novos para Ancelotti. Endrick entrou no segundo tempo, sofreu o pênalti que ampliaria o placar. Igor Thiago, artilheiro pelo Brentford na Premier League, foi quem bateu — e converteu com categoria. Danilo foi eleito o melhor em campo, mas a imagem que ficou foi a do centroavante do clube inglês celebrando o gol.
Igor Thiago representa algo que o Brasil não tem há anos: um ‘9 fixo’ de área, aquele atacante que fica no centro, disputa bola aérea, marca no corpo a corpo e decide jogos com menos de um toque. Ronaldo Fenômeno foi o último a exercer essa função com perfeição absoluta. Desde então, o Brasil convive com atacantes brilhantes mas nenhum centroavante genuíno. O dilema tático de Ancelotti, na prática, é esse: levar criatividade com Paquetá ou finalização com Igor Thiago?
O que Ancelotti realmente precisa decidir
A questão vai além dos três nomes. Ancelotti precisa definir o caráter ofensivo da Seleção. Um meio-campo com Paquetá dá mais posse, mais construção, mais capacidade de trocar passes no terço final — mas pode faltar alguém para empurrar a bola pra dentro quando o jogo estiver travado. Igor Thiago resolve exatamente esse problema, mas exige que outro meia abra mão de espaço.
Endrick, por sua vez, ocupa um papel diferente dos outros dois: é a imprevisibilidade. O jovem atacante pode entrar do banco e mudar um jogo em minutos — como mostrou contra a Croácia. Mas levar três atacantes de perfis similares pode comprometer o equilíbrio do elenco. Ancelotti sabe que Copa se ganha com elenco, não só com titulares — e essa escolha vai dizer muito sobre como o Brasil pretende chegar à final.
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