Governo Trump impõe depósito de até US$ 15 mil para visitantes de cinco nações africanas classificadas para a Copa 2026, incluindo Cabo Verde e Senegal.
Torcedores de cinco seleções africanas classificadas para a Copa do Mundo 2026 podem ter de pagar até US$ 15 mil para entrar nos Estados Unidos. O governo de Donald Trump incluiu Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, Senegal e Tunísia no chamado “Visa Bond Pilot Program”, que exige um depósito reembolsável como condição para obter o visto de turismo ou negócios.
Como funciona a caução
O programa permite que oficiais consulares exijam um depósito de US$ 5 mil, US$ 10 mil ou US$ 15 mil de solicitantes de visto B1/B2 de países incluídos na lista. O valor serve como garantia de que o visitante respeitará as condições do visto e deixará os EUA dentro do prazo de permanência.
Em tese, o depósito é devolvido após o retorno ao país de origem. Na prática, advogados de imigração alertam que o processo de reembolso ainda não foi totalmente detalhado e exige a navegação da burocracia americana à distância.
FIFA negocia isenção para delegações
A FIFA está tentando convencer a administração Trump a isentar jogadores, comissões técnicas e equipes de apoio das seleções participantes. No entanto, mesmo que as negociações tenham sucesso, a dispensa provavelmente não se estenderia a familiares dos atletas, que teriam de arcar com o depósito normalmente.
O caso é particularmente sensível porque Cabo Verde e Senegal são estreantes ou têm participações raras em Copas do Mundo, e seus torcedores enfrentam barreiras financeiras desproporcionais para acompanhar as seleções no torneio.
Impacto no turismo
O cenário se soma a uma queda já registrada no turismo internacional nos EUA. Em março de 2026, as visitas de estrangeiros ao país caíram 11,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. As viagens aéreas vindas do México recuaram 23%, enquanto as do Canadá — outro país co-sede da Copa — tiveram queda de 13,5%.
Além da caução, os EUA introduziram uma taxa de US$ 250 (“visa integrity fee”) para vistos de turismo e negócios, elevando ainda mais o custo total para quem pretende acompanhar o Mundial presencialmente.
Preocupação generalizada
A medida se insere em um contexto mais amplo de preocupações com a Copa 2026. Associações europeias de futebol também levantaram alertas sobre custos operacionais elevados nos Estados Unidos, e a França lidera um grupo de seleções que pediu à UEFA para pressionar a FIFA por melhores condições financeiras.
A 67 dias do início do torneio, a Copa mais cara da história enfrenta obstáculos que vão além do gramado.
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