NY e NJ abrem investigação formal contra FIFA por enganar torcedores na venda de ingressos da Copa 2026, que começa em 11 de junho.
Com 15 dias para o início, a copa do mundo 2026 já acumula uma crise fora de campo. Os procuradores-gerais de Nova York e Nova Jersey anunciaram nesta quarta-feira a abertura de uma investigação formal sobre as práticas da FIFA na comercialização de ingressos para o Mundial.
A acusação é direta: torcedores teriam sido enganados sobre a localização exata dos assentos comprados, e as declarações públicas da entidade, somadas ao próprio processo de venda, podem ter alimentado a escalada de preços. Segundo o O Povo, o comunicado conjunto das duas procuradorias não deixa margem para interpretação: a investigação mira diretamente a FIFA.
O timing diz tudo. O campeonato começa em 11 de junho, e a pressão jurídica chega quando o mercado secundário já opera em valores que excluem boa parte do torcedor comum.
A crise dos ingressos
Nenhuma edição anterior chegou ao tamanho desta. São 48 seleções, 104 jogos e 16 cidades-sede distribuídas entre Canadá, México e Estados Unidos. De acordo com o G1, o estádio de Nova York/Nova Jersey recebe a final em 19 de julho. Exatamente nos dois estados cujos promotores agora cobram explicações da entidade máxima do futebol.
Esse não é o primeiro torneio marcado por reclamações sobre a venda de ingressos da FIFA. O que muda agora é a natureza da reação. A abertura de uma investigação formal por duas procuradorias americanas, dias antes da estreia, não é uma nota de protesto. É um processo jurídico com potencial de desdobramentos concretos.
Comprar um ingresso para a copa do mundo 2026 e descobrir depois que o assento fica em setor diferente do anunciado não é apenas uma frustração. Nos Estados Unidos, isso pode caracterizar propaganda enganosa, sujeita a penalidades civis significativas.
O que a FIFA pode enfrentar
As procuradorias de Nova York e Nova Jersey têm histórico de ações contundentes contra grandes organizações. Investigações dessa natureza podem resultar em multas, acordos e, nos casos mais graves, na obrigação de reformular completamente as práticas comerciais. Para a FIFA, entidade acostumada a operar com autonomia supranacional, a situação é incomum.
Parte do problema é estrutural: o Futebol Interior destaca que a maioria dos jogos ocorre em solo americano, o que coloca a entidade diretamente sob as leis de proteção ao consumidor dos EUA. A questão é se a investigação avança rápido o suficiente para interferir nos ingressos que ainda circulam no mercado.
Enquanto o impasse jurídico se desenvolve, o Mundial segue em preparação. A bola oficial, a Trionda, possui sensor interno que rastreia o posicionamento do objeto 500 vezes por segundo, conforme descreveu a Rede Globo. A sofisticação tecnológica dentro de campo contrasta com a opacidade que os promotores tentam desvendar fora dele.
O que vem a seguir
O torneio começa em 11 de junho, independente dos bastidores jurídicos. As seleções já se mobilizam: a Seleção Brasileira iniciou os trabalhos na Granja Comary nesta quarta-feira, conforme o Terra, enquanto delegações dos outros 47 países fazem o mesmo mundo afora.
Resta saber se a FIFA vai responder às investigações com a mesma agilidade com que a Trionda rastreia a bola. Torneio ela tem. Transparência ainda precisa mostrar.
Perguntas frequentes
O que motivou a investigação de NY e NJ sobre ingressos da Copa 2026? Os procuradores-gerais citaram reportagens recentes sugerindo que torcedores receberam informações incorretas sobre a localização de seus assentos, além de suspeitas de que o processo de venda contribuiu para os preços exorbitantes observados no mercado.
Quando começa a Copa do Mundo 2026 e como é o novo formato? O torneio começa em 11 de junho de 2026, com 48 seleções participantes, 104 partidas e 12 grupos na fase inicial. A competição passa por uma fase de 32 equipes antes das oitavas de final tradicionais. A final está marcada para 19 de julho, no estádio de Nova York/Nova Jersey.
A FIFA pode ser punida nos EUA por práticas enganosas na venda de ingressos? Sim. As leis americanas de proteção ao consumidor se aplicam a entidades que operam no país. Procuradores-gerais estaduais têm autoridade para impor multas, acordos e mudanças obrigatórias de práticas. A FIFA não havia se pronunciado até o fechamento desta matéria.
Como verificar se um ingresso da Copa do Mundo 2026 é legítimo? A recomendação é comprar apenas pelo canal oficial da FIFA ou plataformas autorizadas. Diante da investigação em curso, é fundamental confirmar previamente a localização exata do assento antes de finalizar qualquer compra.